Somos funcionários do Governo Brasileiro, contratados formalmente pelo Ministério das Relações Exteriores – (MRE), também conhecido como Itamaraty, para atuar em embaixadas, consulados e missões diplomáticas ao redor do mundo.

Por sermos profissionais residentes nos países onde trabalhamos, somos classificados como  funcionários Contratados Locais (CLs). Nossas responsabilidades são vitais para o funcionamento diário da diplomacia brasileira, garantindo a continuidade, a credibilidade e a eficácia da presença internacional do Brasil. Apesar do papel essencial que desempenhamos, muitos ainda desconhecem nossas contribuições ou os desafios que enfrentamos para obter reconhecimento e proteção de forma justa.

Somos uma equipe de 3.377* profissionais altamente capacitados, muitas vezes com formação acadêmica superior à de alguns diplomatas, e representamos o Brasil com competência e compromisso.

Em sua maioria, somos cidadãos brasileiros vivendo no exterior, frequentemente com dupla nacionalidade ou com autorização legal para trabalhar em tempo integral no país onde servimos. Em alguns casos, os CLs possuem outras nacionalidades, mas são contratados pelo Governo Brasileiro por sua fluência no idioma local e no português, além de sua expertise cultural e profissional.

Juntos, formamos a maioria da força de trabalho do Ministério das Relações Exteriores no exterior. Pagos com recursos públicos, somos a base essencial que sustenta o trabalho das embaixadas, consulados e missões diplomáticas do Brasil em todo o mundo.

* Fonte: Relatorio de Gestao 2024 do MRE, pagina 232, tabela 6)

Onde Trabalhamos

Atuamos em 225 locais, em cidades e países importantes de todos os continentes.

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O Que Fazemos

A presença global do Brasil depende de uma rede dedicada de profissionais que trabalham

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Por Que Nosso Trabalho Importa

Nosso trabalho importa não somente porque

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Onde Trabalhamos

Atuamos em 225 locais, em cidades e países importantes de todos os continentes. Trabalhamos nas seguintes organizações:

  • Consulados e Embaixadas do Brasil.
  • Escritórios de Representação do Governo Brasileiro.
  • Escritórios do Brasil dentro das próprias agências das Nações Unidas – ONU, bem como em algumas agências da ONU, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO.
  • Escritórios do Brasil em organizações intergovernamentais independentes, como a Organização Mundial do Comércio – OMC, o Bloco de Comércio Sul-Americano – MERCOSUL e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP.
  • Residências de Embaixadores e Cônsules do Brasil no exterior.

A presença global do Brasil depende de uma rede dedicada de profissionais que trabalham para construir, manter e fortalecer as relações diplomáticas em todo o mundo.

No centro desse esforço estão as embaixadas e os consulados do Brasil, instituições distintas que operam em conjunto para sustentar a influência internacional do país.

A maioria dos funcionários CLs atuam em uma dessas duas instituições, onde exercemos papéis vitais e complementares dentro da estrutura mais ampla do serviço exterior brasileiro.

As Embaixadas são as principais missões diplomáticas do Brasil, geralmente localizadas nas capitais e chefiada por um diplomata embaixador. Seu mandato central é conduzir as relações políticas e de Estado entre os países. As embaixadas coordenam a política externa, lideram negociações de alto nível, representam o Brasil em fóruns multilaterais e organizações internacionais, e supervisionam a execução de tratados e acordos bilaterais. Também promovem os interesses do Brasil em áreas como comércio, ciência e tecnologia, educação, inovação, cultura e cooperação ambiental.

Por outro lado, os Consulados costumam estar localizados em grandes cidades fora das capitais e são liderados por Cônsules ou Cônsules-Gerais. Seu foco é mais local e orientado ao atendimento do público. Os consulados prestam assistência a cidadãos brasileiros que vivem ou viajam no exterior, processam vistos e registros civis, emitem passaportes e legalizam documentos, além de oferecerem apoio emergencial a cidadãos brasileiros em situações de risco. Também cultivam laços culturais, comerciais e acadêmicos nas regiões em que atuam, sendo muitas vezes o primeiro ponto de contato do Brasil para comunidades locais, empresas e a diáspora brasileira.

Embora com responsabilidades diferentes, embaixadas e consulados atuam de forma coordenada para avançar os objetivos da política externa brasileira. As embaixadas fornecem direção estratégica e articulação política, enquanto os consulados garantem apoio operacional e conexão direta com as comunidades locais.

Como Funcionários Contratados Locais (CLs), somos os profissionais que fazem esse sistema funcionar. Executamos uma ampla gama de funções essenciais que garantem o funcionamento diário das missões do Brasil no exterior de forma profissional, contínua e eficiente. Desde a gestão de contratos e emissão de documentos oficiais até à acreditação junto ao governo local de diplomatas e oficiais, nossas atribuições cobrem todos os níveis do suporte diplomático.

Prestamos atendimento direto a turistas, empresários, integrantes da diáspora brasileira e estrangeiros com interesses no Brasil. Também colaboramos na organização e execução de visitas oficiais, programas culturais, comerciais e educacionais, eventos e acordos bilaterais, atividades fundamentais para a visibilidade e o êxito da diplomacia brasileira.

A seleção para os cargos de funcionários CLs ocorre por meio de processo seletivo público, previamente aprovado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em Brasília e executado pelas missões diplomáticas brasileiras no exterior. Os processos seletivos geralmente incluem provas escritas rigorosas (e práticas, no caso de motoristas e cozinheiros), além de entrevistas estruturadas, com o objetivo de garantir mérito e integridade. Nossos cargos institucionais variam de assistentes administrativos e assistentes técnicos a apoio operacional, mas somos todos unidos por uma missão comum: representar e servir o Brasil no exterior com profissionalismo, competência e dedicação inabalável.

Nossa missão se concretiza nos encontros do dia a dia. Ao visitar um posto diplomático brasileiro para solicitar um visto, participar de um evento, pedir apoio emergencial ou renovar um documento, é muito provável que a primeira pessoa com quem você fale seja um funcionário Contratado Local (CL).

Somos nós que o recebemos, orientamos, esclarecemos suas dúvidas, processamos seus documentos e garantimos que sua experiência seja respeitosa e eficiente. Desde o primeiro atendimento até a conclusão do serviço, nossos esforços silenciosos garantem que tudo funcione bem, com cuidado, profissionalismo e comprometimento.

Diferentemente da maioria dos diplomatas, cujo trabalho muitas vezes é temático ou estratégico, ou de oficiais administrativos que comumente assinam documentos já finalizados, os CLs acompanham todas as etapas da entrega operacional. Estamos presentes desde o preparo e execução até o acompanhamento e a solução. Seja emitindo seu visto, emitindo um certificado oficial, redigindo seus briefings, resolvendo um problema urgente ou recebendo uma delegação, somos as mãos firmes por trás de cada tarefa.

E, mesmo com nossas contribuições essenciais, raramente somos reconhecidos como funcionários do Governo, e seguimos privados de benefícios institucionais e do reconhecimento formal garantido a colegas ao nosso lado. Isso precisa mudar. O reconhecimento não é apenas apropriado, é uma questão de justiça e integridade institucional.

Nossas contribuições vão muito além da burocracia e da logística. Funcionários Contratados Locais (CLs) trazem consigo um conhecimento profundo de idiomas, leis e culturas locais,  habilidades que são inestimáveis para o engajamento internacional do Brasil. Talvez mais importante ainda, compreendemos os códigos culturais implícitos, as etiquetas, expectativas e nuances não-ditas que moldam as relações e definem resultados. Essa fluência cultural nos permite construir confiança, navegar em contextos complexos e manter parcerias respeitosas com as comunidades anfitriãs.

Além disso, somos a memória institucional das missões brasileiras. Enquanto diplomatas e outros servidores rotacionam a cada poucos anos, os CLs garantem continuidade, conhecimento local e relacionamentos de longo prazo com atores-chave. Somos nós que mantemos redes de contato, lembramos os históricos e asseguramos que estratégias de transições sejam suaves e consistentes. Desta maneira, não apenas apoiamos a diplomacia, nós a sustentamos.

Ao navegar pelos aspectos formais e informais do engajamento internacional, os CLs garantem que a diplomacia do Brasil não apenas aconteça, mas seja compreendida e enraizada.

Traduzimos política em prática, intenção em ação e representação em relacionamentos reais. Somos a ponte entre o Brasil e o mundo. Somos a continuidade que sustenta décadas de presença e serviço. E somos a base humana sobre a qual repousa o verdadeiro sucesso das missões globais do Brasil.

Nosso trabalho importa não somente porque os Contratados Locais (CLs) representam a maioria da força de trabalho do Ministério das Relações Exteriores do Brasil no exterior, mas porque formamos a base indispensável sobre a qual se sustentam as embaixadas, os consulados e as missões diplomáticas brasileiras.

Por meio de nossa presença constante e profundo conhecimento local, mantemos com profissionalismo a continuidade das relações com atores e instituições locais,  relações essenciais para o engajamento internacional de longo prazo do Brasil. Muito depois de diplomatas e funcionários rotativos partirem e retornarem ao nosso país, é a nossa presença e contribuição duradoura que preserva a confiança, a coerência e a memória institucional, elementos vitais para uma diplomacia eficaz. Sem isso, as operações globais do Brasil enfrentariam não apenas ineficiências, mas uma perda significativa de credibilidade e continuidade estratégica.

Como funcionários Contratados Locais, não somos residentes temporários nos países onde atuamos e vivemos; somos parte do tecido social e da cultura dessas sociedades. Falamos a língua, compreendemos os códigos culturais e navegamos realidades locais, sem os privilégios normalmente concedidos a servidores enviados do Brasil.

Diferente de diplomatas e servidores administrativos que são designados temporariamente e rotacionam a cada poucos anos, chegando com reconhecimento institucional, proteções legais e benefícios assegurados,  nós, os funcionários Contratados Locais (CLs), somos a presença constante no terreno onde estamos. Não chegamos em meio a dossiês e recepções oficiais, nem nos instalamos em moradias diplomáticas gratuitas. Já estamos lá. Enraizados, fluentes e totalmente integrados ao contexto local.

É essa permanência que nos permite carregar a memória institucional, a fluência cultural e a continuidade operacional que nenhum oficial rotativo consegue replicar. A presença diplomática do Brasil no exterior não funciona , e não pode funcionar, sem nós. Enquanto os servidores designados a partir do Brasil vêm e vão, somos nós, os CLs, que mantemos as funções diárias, os relacionamentos e a estabilidade de longo prazo sobre os quais se sustenta o engajamento global do Brasil. No entanto, apesar desse papel indispensável, continuamos servindo sem os mesmos direitos, reconhecimentos ou proteções oferecidos aos nossos colegas rotativos.

Confiar exclusivamente em servidores temporários enviados do Brasil seria economicamente insustentável e operacionalmente ineficiente. Os altos custos, a rotatividade constante e as curvas recorrentes de aprendizado comprometeriam severamente a continuidade e a eficácia. É a presença permanente e profissional dos Contratados Locais (CLs) que garante os serviços públicos, a logística diária e os relacionamentos duradouros que sustentam qualquer missão diplomática. Somos nós que asseguramos operações contínuas durante transições, faltas de pessoal, emergências e rotinas cotidianas.

Quando diplomatas e oficiais chegam a um novo posto, geralmente levam meses para se adaptarem plenamente. Nesse período, são os CLs que oferecem o conhecimento local, o contexto institucional e o suporte prático necessário para manter tudo funcionando. E, quando finalmente começam a se integrar, muitos já estão planejando sua próxima missão. Para muitos, a próxima mudança nunca está muito distante dos seus pensamentos, mesmo durante a adaptação, estão fazendo networking, preparando caminhos e evitando serem chamados de volta a Brasília ou enviados a países de alto risco ou menos desejados.

Essa mentalidade antecipada e associada à progressão futura da carreira é muitas vezes reforçada dentro de círculos fechados, entre diplomatas e oficiais administrativos que já avançaram ou os que detêm poder para influenciar as próximas nomeações. Como resultado, muitos relacionamentos são cultivados não para engajamento local profundo, mas para mobilidade de carreira. Isso limita significativamente a capacidade deles de se envolverem com as sociedades locais para além dos círculos diplomáticos formais, diferentemente de nós.

Em contrapartida, nós, os Contratados Locais, não somos “lançados de paraquedas” em novos ambientes, somos parte do próprio ambiente em si. Não vemos nossas funções como temporárias nem os locais de trabalho como apenas estações de passagem. As missões que servimos fazem parte de nossas comunidades, de nossas vidas. Não somos atores externos tentando decifrar o território,  somos o território.

Quando as rotações terminam e as equipes mudam, somos nós que permanecemos. Conhecemos as pessoas, os sistemas e os gestos silenciosos que mantêm uma missão diplomática funcionando.

Isso não é apenas uma questão de apoio. É uma questão de sustentabilidade, legitimidade e visão estratégica de longo prazo.

Sem nós, os funcionários Contratados Locais, a estratégia diplomática do Brasil colapsaria sob o peso da desconexão e da descontinuidade. Não somos uma força de trabalho secundária; somos a base. E não apenas porque somos financeiramente vantajosos ou convenientes, mas porque nenhuma política externa pode ser bem-sucedida sem aqueles que realmente compreendem o solo sobre o qual ela se ergue.

Somos a visão de longo prazo. Somos a memória, a língua, a confiança, os relacionamentos e a infraestrutura. Somos a continuidade silenciosa que sustenta a presença global do Brasil. E sem nós, não há fundação forte o suficiente para mantê-la de pé.

A presença diplomática do Brasil no exterior não é construída sobre o privilégio de poucos, mas sobre o esforço coletivo de todos que a servem, diplomatas, oficiais administrativos enviados do Brasil e nós, os Contratados Locais, cidadãos brasileiros na sua maioria. Seu sucesso contínuo depende não apenas dos que rotacionam em ciclos internacionais, mas principalmente de nós, aqueles que permanecem, oferecendo continuidade, fluência cultural e memória institucional, elementos que nenhuma missão de curto prazo pode substituir.

Mas a justiça começa pelo reconhecimento. Enquanto os enviados do Brasil recebem status diplomático formal, proteções legais, salários dignos e garantias institucionais, nós, a força de trabalho permanente no exterior, continuamos servindo sem os direitos, salvaguardas ou reconhecimento que também merecemos.

Chegou a hora de acabar com esse tratamento seletivo e valorizar o papel vital de cada funcionário Contratado Local. O Brasil não pode projetar dignidade e respeito no cenário internacional enquanto ignora os direitos de seus próprios funcionários que trabalham para representar o país no exterior.

Um serviço exterior verdadeiramente justo, eficaz e respeitado globalmente só pode ser sustentado quando todos que o constroem são tratados com equidade, dignidade e o pleno respaldo do Estado. Qualquer coisa inferior a isso compromete não apenas a integridade de nossas missões,  mas os valores que o Brasil afirma defender.